Uma mãe me mandou um áudio de três minutos. Antes de ouvir, eu já estava com medo do que vinha a seguir.

Não era crítica nem alerta. No mês anterior, ela tinha me mandado a foto de um texto que a própria filha escreveu sozinha, sem ninguém pedir, e nele a menina falou das amigas, de como se sentia, da família e também escreveu que tem TDAH, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, e que é muito feliz assim.

No áudio, a mãe contava, emocionada, que a filha tinha percebido sozinha que escrever podia ser um jeito de se expressar, e que queria incentivar isso em casa. Passei a incluir a escrita criativa no planejamento das sessões, porque o que acontece ali precisa dialogar com o que acontece em casa. Participar de verdade é perceber uma abertura como essa e entrar junto, e talvez aí o acompanhamento neuropsicopedagógico deixe de ser só uma hora na semana e passe a fazer parte da rotina inteira.